O IE6 é apenas mais um navegador

Em todo blog de desenvolvimento o assunto vem sendo o mesmo nos últimos dias: a morte do IE6. O Digg anunciou que não suporta mais o navegador, depois veio o Youtube, e tenho certeza que muitos outros estão seguindo a mesma estratégia dos gigantes.
Por todos os cantos da Internet se escutam exaltações de alegria: “hacks para PNG não mais”, “seletores CSS3!”, “HTML5″, e etc. E a cada vez que leio algo nesse sentido, sinto uma pontada de pesar por saber que essas pessoas não entendem o que é desenvolver pra web, elas acreditam que dando suporte às funcionalidades conhecidas de um punhado de navegadores que aparecem nas estatísticas é o necessário para dar suporte cross-browser. Então me pergunto: o que adianta bradar aos quatro ventos que desenvolve nos padrões de acessibilidade, sendo que na hora de escrever um script não leva em conta que os navegadores utilizados por deficientes visuais, por exemplo, são praticamente desconhecidos para os desenvolvedores. Eu não sei qual punhado de funcionalidades um navegador desses suporta, mas é meu papel garantir que pelo menos uma experiência minimalista de uso seja viável em qualquer navegador.
Não me vejo no direito de excluir algumas pessoas de utilizarem minha interface porque elas não usam um navegador que eu conheça ou goste, mas parece-me que muita gente não se importa com esses “excluídos”. Ontem, depois de ler o milésimo post falando como o IE6 é(era) a praga da web, resolvi dissertar brevemente sobre o assunto, e como gostei do que escrevi, vou reproduzir o texto do comentário aqui ipsis litteris.

Eu já cansei de falar isso, mas vamos lá.
Todo esse chororô dos desenvolvedores no que concerne ao IE6 é, no mínimo, “overrated”. Eu me sinto na obrigação de escrever código que funcione (mesmo que de maneira básica) em qualquer navegador. E sabem o que é mais interessante? Pra 99,9% dos projetos, não é nem um pouco difícil dar suporte ao IE6, o problema é que as pessoas desistiram de aprender JavaScript para usar cegamente essa aberração chamada jQuery, que até pouco tempo atrás abusou de user-agent sniffing, e que atualmente trocou pelos piores exemplos de feature testing que já vi na vida, se é que posso chamar aquilo de feature testing, tá mais pra object inference. Aí quando o cara testa no IE6 e vê as coisas dando errado, começa a meter a boca no navegador, mas mal sabe ele que o script que ele confia tão cegamente está fazendo tudo errado.
O meu ponto é que não é tão dificil escrever código cross-browser quando os John Resigs da internet pintam a todo momento.
Quanto ao CSS, sim o IE6 tem um suporte bem fraco a CSS2.1, mas existem os comentários condicionais. É simples fazer uma versão ‘lo-fi’ do design para IE6 utilizando um stylesheet alternativo. E pra quem ainda não sabe, esses fixes de PNG introduzem vários crashes totalmente imprevisíveis. O que você prefere, utilizar PNG 8bit ou CRASHAR o navegador de seus usuários?
Por fim, gostaria de dizer que sim, o IE6 está deixando de ser utilizado pela maioria, mas sempre existem pessoas que não podem atualizar, ou pessoas que utilizam um browser que nem entra nas estatísticas, algum dos muitos ‘flavors’ do IE6 que saíram ao longo dos anos. Acho que dá pra entender como é pointless ficar malhando um navegador, certo? Boas práticas de desenvolvimento contornam todos esses problemas.
O que falta na web são pessoas que realmente saibam o que estão fazendo e não navegadores com melhores capacidades.

E você, o que acha?